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FELIZ
Meu avô não foi um homem de grandes feitos. Apesar de que aguentou o gênio terrível da minha avó por quase 6 décadas, o que não foi fácil. Mas ele não teve uma vida das mais glamurosas. Pelo contrário. Nunca ganhou dinheiro, nunca descobriu seu talento e nunca foi dono de seu próprio negócio - a não ser depois que se aposentou e resolveu ter uma barraca de meias na feira. Era bondoso, honestíssimo e vivia resmungando de tudo, mas de uma maneira engraçada, como se fosse um crítico de todos os assuntos do planeta.
Um dia, assistindo a um sorteio da Mega Sena pela TV, ele soltou tranquilamente "Eu ganhei". Frio na barriga da família toda. Abraços. Telefonemas. Gritos de alegria. Pela primeira vez, em 59 anos de casamento, minha avó dirigiu palavras doces a ele. E nós começamos até a achar fofo o fato de termos ganhado pares de meias em todos os nossos aniversários, dias das crianças e natais dos últimos 16 anos.
O problema é que ele tinha perdido o bilhete premiado. Filhos, netos, sobrinhos e primos que nunca tiraram o próprio prato da mesa após as refeições, passaram a madrugada revirando a casa de ponta cabeça para encontrar o papelzinho que mudaria o destino da família. E encontraram.
Meu avô realmente tinha marcado as seis dezenas sorteadas. Só que ele marcou os outros 54 números também. Ao contarmos que não era um bilhete válido por estar inteiro assinalado, a resposta foi "Mas que eu ganhei, eu ganhei." Foi aí que descobrimos que ele estava com Alzheimer's.
Todos ficaram tristes. Uns por ele, outros por suas Ferraris que aceleraram de volta ao mundo dos sonhos em menos de 3 segundos. Minha avó? "Eu disse que esse inútil nunca fez nada de bom na vida!" E daí para baixo.
E foi esse o fim do meu avô: morreu com a certeza de que era milionário e, de quebra, deixou sua mulher emputecida para o resto da eternidade.
Se isso não é final feliz, então o que é?
Junho de 2009.
IGUAIS
Acredito sinceramente que somos capazes de realizar grandes proezas, por mais improváveis que pareçam. Você mesmo deve ter histórias de feitos nos quais as pessoas custam a acreditar ou que as fazem reagir com um "Você?! Quem diria?" Isso deve acontecer porque relutamos em aceitar que somos todos semelhantemente aptos.
Desde o começo dos tempos tem sempre alguém tentando separar os superiores dos restantes, mas Gengis Khan, Hitler e Simon Cowell, má notícia: somos mesmo todos iguais.
Como descobri? Acabei de ler algumas cartas de amor que continham declarações de Fernando Pessoa, Beethoven e D. Pedro I e percebi que eles eram muito babacas. Exatamente como você e eu.
Maio de 2009.
SONHOS
Siga-os. Maio de 2009.
EITA!
A edição de janeiro da revista Época São Paulo publicou uma lista com os 45 paulistanos que vão "fazer o ano de 2009" com seus planos e projetos. Por algum motivo meu nome está ali no meio e estou muito feliz por isso. Deve ter sido engano. Mas estou feliz mesmo assim.
De qualquer forma, boa sorte para todos nós. Eu, os outros 44 - que realmente merecem compor a lista - e mais os 19.223.897 habitantes da nossa cidade.
Força e, a menos que vocês queiram escrever um livro, que seus planos e projetos saiam do papel em 2009!
Janeiro de 2009.
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